Faz diferença ter um Banco do Brasil

Esse é o banco do André, do Paulo, da Ana? Esse é o Banco do Brasil? Infelizmente, é. Faz diferença ter um Banco do Brasil? Faz. Para pior. Faz diferença ter um banco só seu? Só meu? Minha conta não movimenta nenhuma fortuna, por isso não tenho atendimento privativo e, assim como a grande maioria dos correntistas que circula pelo BB todos os dias, sou mais um na massa anônima que pena perante essa maravilha pública.

Esse não é o Banco do André, do Paulo e da Ana. É o Banco do Descaso, do Desrespeito, o Banco da Vergonha, onde você precisa enfrentar uma fila de duzentas pessoas toda vez que se encontra diante de um procedimento que não pode ser realizado via home banking ou auto-atendimento.

É o Banco dos Vadios, que fazem cara feia para atender e ainda querem aumento. É o Banco dos Cretinos, que abrem todas as exceções para você abrir uma conta e fecham as portas na hora que você tenta encerrá-la.

Realmente, faz diferença ter um Banco que é do Brasil.

Melhor ficção: Lei Rouanet

Em tempos de premiação no cinema (Oscar, Globo de Ouro), o assunto em questão vem bem a calhar. Semana passada fui ao cinema. E no final do trailer de “E se fosse você 2” (mais recente produção da Globo Filmes, com Toni Ramos e Glória Pires), no momento em que a marca da Lei de Incentivo à Cultura aparece, um amigo que estava comigo diz algo mais ou menos assim: “Olha aí, é a gente que paga por isso”.

Certo, não é bem a gente que paga porque a Lei Rouanet busca captar recursos do setor privado, oferecendo a dedução de impostos como moeda de troca. Mas, de certa forma, é a gente. Explico: se essa dedução não acontecesse, os impostos retornariam integralmente para a união, que nos devolveria isso em investimentos públicos. Ao menos, é assim qe deveria funcionar.

Antes que me acusem de elitista, esclareço que a questão não tem nada a ver com o gênero do filme. Embora minhas preferências em cinema sejam outras, o que está sendo questionado aqui é porque uma empresa com o capital da Globo, bem sucessida financeiramente, precisa recorrer ao mecanismo público de captação de recursos para fazer cinema.

Não falta à dinheiro à Globo. E se falta, buscar parceiros para encampar sucessos de bilheteria não deveria ser um problema. Ou você acha que “E se fosse você” não tivesse tido um público considerável eles fariam a continuação?

No site do Ministério da Cultura, está assim:

“o Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), que canaliza recursos para o desenvolvimento do setor cultural, com as finalidades de: estimular a produção, a distribuição e o acesso aos produtos culturais (CDs, DVDs, espetáculos musicais, teatrais, de dança, filmes e outras produções na área Audiovisual, exposições, livros nas áreas de Ciências Humanas, Artes, jornais, revistas, cursos e oficinas na área cultural, etc); proteger e conservar o patrimônio histórico e artístico; estimular a difusão da cultura brasileira e a diversidade regional e étnico-cultural, entre outras.”

Teoricamente, a lei não especifica nada em relação a isso. Não menciona nada que sirva como parâmetro ou diretriz para saber a quem contemplar. Mas, me parece que essa é uma questão de bom senso. Privilegiar bons projetos, antes de tudo, mas especialmente aqueles nos quais seus idealizadores não tem condições de levantar verba por meios próprios.

De acordo com um artigo publicado no _B.l.o.g.A.n.a_, 8,9 milhões de reais foram captados para a área do audiovisual em 2008. “Exemplos disso foram os 900 mil reais liberados para a gravação do DVD da cantora Vanessa da Mata, os 9,4 milhões de reais concedidos para as apresentações do Cirque Du Soleil e os 4,5 milhões de reais destinados a um filme sobre a vida de Bruna Surfistinha.”

Nosso dinheiro também patrocina os filmes do Didi, da Xuxa e assim por diante. Talvez eu esteja com uma visão equivocada de todo o processo, mas esses recursos não deveriam ser direcionados àqueles que não têm condições de obter verba para custear suas produções?

Não me parece que falte dinheiro à Globo pra fazer cinema. Tão pouco que tenham dificuldades em buscar parceiros. Também questiono se a SONY | BMG precisaria recorrer à Lei Rouanet para produzir o DVD da Vanessa da Mata, uma das artistas mais populares dos últimos dois anos, o que implica que ela vende muito bem. E embora não se possa dizer que rende fortunas em cds, em razão da pirataria, faz shows pelo Brasil o ano todo e enche generosamente os cofres da gravadora.

Em 2008, outro caso famoso foi o de Ivete Sangalo. Agora sim estamos falando de gente que ganha dinheiro! A empresa de Ivete estava autorizada a captar R$ 1.950.650,84. São quase 2 milhões de reais! Ivete, provavelmente, é uma das artistas que mais fatura no Brasil. Some a isso seus contratos publicitários milionários.

Certa vez comentaram comigo que conseguir aprovação de projetos pela Lei Rouanet era questão de pistolão. Não sei se é isso. Não sei também se alguma parte da bilheteria é revertida de volta ao governo. Se é, aí estaria uma possível razão para o Ministério da Cultura optar por escolher projetos tão comerciais. É dinheiro que volta para os cofres públicos. Lucro garantido. Mas se for isso, o objetivo da lei é fomentar a cultura ou ganhar dinheiro? A cada um desses projetos milionários que são contemplados, vários outros, menores, são deixados de lado.

E pra essas pessoas, a Lei Rouanet não passa de mera ficção. Mas e não estamos no país do faz-de-conta? Hollywood que se cuide!

A cara do Brasil

Vai ser essa a cara do Brasil em 2010?*

Vai ser essa a cara do Brasil em 2010?*

 

 

 

 

 

 

 

 

O eterno país do carnaval (e da paixão nacional, porque ambos estão intimamente ligados) é o segundo colocado em cirurgias plásticas no mundo. Só perde para os EUA. Entre 2004 e 2006, o número de brasileiros que entrou no bisturí saltou de 616 mil para 700 mil**, de acordo com a última pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas.

É um bocado de gente entrando na faca. E na política, onde se vive mais de aparências do que conteúdo, é claro que tem gente do meio ajudando a engordar (com o perdão da palavra) essas estatísticas. 

A plástica do momento é a da ministra-chefe da Casa Civil, e candidata à sucessão presidencial, Dilma Rousseff. Segundo matéria recente na revista Época, Dilma entrou numa rigorosa dieta, trocou o óculos pelas lentes e aproveitou um evento de moda em São Paulo para mostrar o resultado da sua transformação. Foram testa, olhos, maçã do rosto, pescoço e queixo. Não chega a ser uma mudança a la Kelly Key ou Carla Perez (procure no Google fotos das duas antes das plásticas), mas já dá pra garantir uns votinhos a mais quando 2010 chegar.

Vá lá, sabemos que candidato bonito vai bem Brasil (quem lembra do Collor leventa a mão). Mas precisa ser tão na cara? (os trocadilhos são inevitáveis) É ultrajante pensar que, descaradamente (de novo), uma futura candidata à presidência se submete a uma série de intervenções estéticas, nitidamente pensadas em função da candidatura. 

Mas é triste pensar que esse tipo de atitude mostra que há eleitores que levam isso em conta (levanta a mão de novo quem lembra do Collor. Levanta outra vez quem lembra quando ele meteu a mão na sua poupança. Isso não lembra carnaval?). É difícil, nesses casos, dizer quem tem menos vergonha na cara.

Parece que ao invés de prestar atenção no rosto de quem elegemos, seria mais eficiente voltar nossa atenção para as mãos. Essas sim não enganam (ninguém faz plásticas nas mãos). E mais importante: vai ser mais fácil de perceber se essa mão tentar se enfiar no seu bolso. 

É isso, ou depois não adianta ficar com cara de bunda. Olha o carnaval de novo aí.

 

*foto: revista Época.

** fonte: http://www.cirurgiaplastica.org.br/publico/midia.cfm

O jogo de Obama

Onde Obama vai mexer?

Onde Obama vai mexer?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos anos 80 esse jogo era sensação. Sem grandes tecnologias, custava pouco e grande parte das crianças podia tê-lo em casa. Depois de quase 30 anos eu lembrei dele. Obama assume hoje, oficialmente, a presidência dos Estados Unidos da América do Norte, e eu tenho a nítida sensação que ele vai entrar num jogo muito parecido com o clássico pega-vareta.

Sai um dos presidentes mais impopulares dos EUA (mas o mais divertido, é preciso reconhecer) e entra um dos mais esperados. Obama usa Macbook, iPhone e BlackBerry. Tem Facebook e Twitter, fala com a família pelo iChat. Sua campanha eleitoral já é considerada a mais brilhante da história do país. Usou massivamente a internet para trazer os jovens americanos para o seu lado, além de tê-la utilizado ainda como meio de captação de recursos entre os próprios eleitores, já que (ao menos é o que afirma), recusou verbas de instituições privadas.

Todo mundo simpatiza com o Obama, até a mídia, o que, diga-se de passagem, veio muito a calhar pare ele. Tudo que o Bush (filho) tinha de imbecil, Obama parece ter de esperto e popular. E ter um antecessor como Bush Júnior, muito provavelmente, deve ter constribuído drasticamente para o sucesso do primeiro presidente negro dos EUA.

Porém, ele assume o país em um dos momentos mais críticos das últimas décadas. É claro que Bush não é o único culpado pela crise que assola a nação (apesar de ter dado um bom empurrão), isso está na própria forma como o país construiu sua economia e parecia ser algo iminente.

A questão é: Obama tem uma pressão imensa sobre os ombros. A partir do momento que optou por entrar no jogo, assumiu a responsabilidade de salvar o país e o mundo. É isso que todos esperam dele. Nesse exato momento, é como se os EUA estivessem em uma imensa partida de pega-vareta.

Tirar ou não tirar as tropas do Iraque? Se sim, quando? E se tirar, o que acontece por lá? Aumentar ou diminuir juros? Criar ou reduzir impostos? Onde mexer para reanimar o sistema hipotecário? Como reconstruir um sistema financeiro em colapso? Se Obama puxar a varetinha errada, ou se fizer rápido demais ou devagar demais, pode colocar tudo a perder. E se ele perde, todo o mundo perde junto.

Martin Luter King tinha um sonho. Será que Obama vai finalmente realizá-lo? Tomara que Obama seja tão bom jogador quanto ele parece ser.

 

 

A gente paga até pra ser demitido

A cena é clássica. Todo mundo já se deparou com ela ao menos uma vez. Um caminhão se envolve em algum tipo de acidente, tomba, e deixa exposta toda a carga. Segundos depois, uma multidão sedenta aparece para levar a sua parte pra casa. O exemplo mais emblemático são os caminhões de cerveja. Nesses, parece que os saqueadores aparecerm mais rápido do que nunca.

Pois bem, o governo brasileiro está se comportando exatamente assim. O caminhão é nosso. E o governo está querendo meter a mão na nossa cervejinha. Ontém fui supreendido com a notícia sobre as novas regras do INSS em relação ao aviso prévio.

Até agora, o empregador que pagava o aviso prévio indenizatório, que corresponde a um mês de salário, e não exigia que o funcionário trabalhasse esse período, era isento de contribuir para a Previdência. Não é mais assim: desde o dia 14 de janeiro a nova regra diz que o empregador terá de pagar à Previdência 20% sobre o salário do empregado e o trabalhador, pasmem, de 8% a 11%.

Estamos bem no meio de uma crise econômica que, segundo todas as previsões, ainda vai piorar. O caminhão tombou. Muita da nossa cervejinha já se perdeu no acidente. Mas os saqueadores não perdoam, eles querem a parte deles e, esse não poderia ser o momento mais propício, afinal, em época de crise, as demissões aumentam, tem caminhão tombando por todo lugar.

Portanto, no popular, quero dizer que o governo está tirando proveito da desgraça alheia. Inventou mais um jeito de tirar dinheiro da gente, até quando somos demitidos (ou demitimos). É mais uma que vem pra engrossar as estatísticas que nos colocam como um dos países com a maior carga tributária do mundo.

O pior é que pagamos caro mas não volta. Na Suécia, por exemplo, dependendo do salário o IR pode chegar a 58.2%, em salários muitos altos, obviamente, mas lá o dinheiro volta em saúde, educação, e assim por diante. Aqui mandamos de 7,5% a 27,5% do noso suado dinheirinho em uma via de mão única: ele vai, mas não volta.

Nós somos terceiro mundistas, e diversão de pobre é a cervejinha no final de semana. Sr. Presidente, Ministro Carlos Lupi, vocês querem nos tirar até isso? Dirigindo o país desse ele tomba mesmo. Além do mais, o que vocês vão fazer com a nossa cervejinha? Nunca viram nas propagandas? Se beber, não dirija.